Infinito interior

O retumbar dos tambores,
na cardio-cadencia digital,
analogicamente nos conduz
por superfícies vibracionais,
num surf cósmico
para dentro de sí,
onde podemos contemplar de perto
a beleza do exterior,
universos diversos
aos que chamamos,
por não podermos vê-los completos,
de pessoas.
E no afã de nos entendermos,
temos no outro o espelho,
e aos recebermos os pulsos,
quasares, supernovas, blackholes,
ou simplesmente idéias,
que atravessam mares quânticos,
ondas sonoras numa faixa reduzida
e que, na sua finita capacidade,
traz o infinito vislumbre
daquilo que PODE vir.

Ahoo

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Eu fluindo nimim

Depois de um certo dia,

as entrelinhas viraram as linhas,

o que era linha perdeu o sentido,

o que era fluxo virou ciclo

e um novo fluxo surgiu do nada.

Água, muita água,

e terra também!!!

Um verde vivo no meio da mata,

e na borda,

vozes,

minhas vozes,

todas elas,

… todas.

E, numa outra coisa que não era o tempo,

surgiram coisas que não eram espaços,

numa dança curva que soprava formas,

que viajam,

na eternidade,

e se chocavam contra um um céu de luz,

e escrevia todas estas palavras.

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O Neutrino

Não é nada.
Exceto uma sucessão de fatos.
Um vento, flui,
e voa,
e vai.
E se distancia do fim do universo
só por uma fração de fibrilar,
o tremeluzir de uma pequena chama,
que é a mesma que a Grande Chama.

Uma suave manifestação,
um esfumaçar,
de uma infinidade de giros quânticos,
de eus quânticos,
a bailar no aqui e agora,
na ponta de consciência de um neutrino.

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A ventania do sábado levantou todo o forro de casa, tombou a goiabeira do quintal e fez uma sujeira danada, por um lado…
por outro, trouxe uma clareza para o pensamento, sensações síncronas para quem estava lá, e para quem não estava lá mas, estava na vibe!!!
Tem algumas coisas que acontecem num nível por demais sutil, sei lá, de repente é um neutrino vindo dos confins do universo e que se choca com algum átomo e desencadeia uma reação que chega em todos que estão num certo “estado de espírito” adequado. E aí de que vale as explicações? pois só quem sente é que sabe, os outros, na melhor das hipóteses, chamar-me-ão de louco!!!
E que assim seja!!!!

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A rede do Yoga Sutra – Brahmacarya

As portas, as bocas, os cavalos da carruagem de Arjuna, assim foram descritos os órgãos dos sentidos e suas funções nas diversas escolas filosóficas e religiões que estudam a natureza humana no vale do Indo e Ganges. Ora são eles, os sentidos, que conferem ao homem a sua natureza humana e, na ânsia de saciar suas necessidades os homens formaram e transformaram a superfície da Terra e as comunidades que nela habitam.

 

A ferramenta dos sentidos são extremamente importantes pois é através delas que experimentamos o mundo material e suas peculiaridades porém, é fácil se encantar com as sensações produzidas por elas. Prazer e dor, doce e amargo, quente e frio, a dualidade acrescenta à percepção humana uma necessidade de investigação e isso enreda a pessoa numa busca sem fim, numa experimentação sem fim, num circulo vicioso como dito no capítulo 15, verso 9 da Bhagavad Gita:”Vinculada pela visão e audição, pelo olfato, gosto e tato, e ainda pelo intelecto, colhe a alma experiências no mundo das percepções objetivas e, por vezes, a ele sucumbe”.

 

A orientação de Patañjali com relação a Brahmacarya se dá no sentido de que a energia que flui no corpo flui para dentro ou flui para fora. Para dentro ela concentra e flui para o intangível, para fora ela dispersa e proporciona a movimentação do estado mental no sentido de processar as informações e construí-las de maneira lógica, gerando um entendimento do ambiente externo. Ora, isso é pouco interessante para uma prática meditativa.

 

Toda experimentação da realidade material ativa o fluxo mental, portanto, a moderação dos sentidos visa manter o yogue em equilíbrio com relação a estes.

 

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A rede do Yoga Sutra – Asteya

Para quem possui algo que não lhe é pertencido, este carrega com o algo a necessidade de criar sempre o ambiente que lhe de a aparência de propriedade, inclusive para si mesmo, a fim de não se frustrar. Ora, essa atividade mental contínua não permite que uma só fresta se abra e apresente o brilho intenso do ser que resplandece sobre ela.

 

Um exemplo básico desta condição é a personalidade. O ser humano, quando em convívio social cria para si e se apossa deles, uma série de “rótulos” que o identificam e, as pessoas ao redor também dão a esse alguém mais rótulos que o indivíduo acaba por agregá-los ao seu “pacote de identificação” e isso se torna “sua” propriedade, a pessoa diz, “Eu sou assim.”

 

A atitude de roubo raiz da condição humana é a identificação com o ego, a egoesclerose e isso gera uma série de consequencias e podemos nos referir a elas pela definição de himsa conforme descrito no Yoga Bashya de Vyasa(as 81 violências). Quando a pessoa fica só por um longo período, essa personalidade começa a ruir pois, ela depende de outros para se firmar. Quando a pessoa está só, o Ser é o que é, sem nenhuma propriedade, sem precisar se identificar e sem ser identificado.

 

Asteya está em intima ligação com Aparigraha, um é a condição do outro

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A rede do Yoga Sutra – Introdução

As tradições filosóficas e religiosas dos vales do Rio Indo e Ganges se anteciparam em trazer para o conhecimento humano noções da natureza imperceptíveis para as ferramentas dos sentidos – tudo isso apenas com a observação introspecta de meditadores, com isso tiveram contato com conhecimentos como a realidade atômica e os conceitos recentes de física quântica, sem a necessidade de tecnologias materiais da forma que hoje acontece com a ciência.

Os milhares de anos de acumulo de conhecimento e a transformação deste em ensinamentos que eram transmitidos em ashrams por mestres a seus discípulos serviu de base para a elaboração dos Yoga Sutras e diversos outros manuais e escrituras sagradas.

Meu trabalho aqui pretende analisar a natureza funcional dos dois angas iniciais deste texto, Yamas e Niyamas, de acordo com minhas próprias observações e formuladas com a inspiração que obtive a partir de toda a literatura que trata de Yoga e temas relacionados com a evolução da consciência humana com a qual tive contato. Por haver formulações de minha concepção, é normal que o leitor encontre pontos que divergem da literatura já publicada, criei estes pontos no intuito de gerar uma discussão em torno deles a fim de ver surgir outros pontos de vista.

Estes dois angas, na maioria dos textos modernos que os abordam, são tratados num sentido ético, em alguns textos Yama foi traduzido com os termos “refreamento”, “proibições” e outros termos que carregam alguma conotação restritiva* , a meu ver estes termos distanciam estes angas da própria natureza do Yoga. Porém os angas carregam em si os princípios de desidentificação com a mente, passo necessário para uma prática com todo o potencial de que o Yoga dispõe.

Evidentemente, o apelo ético contido nestes angas fica claro principalmente na cultura ocidental aonde a ética chega a ser produto e tê-la significa pontos de status dependendo do meio em que se verifica sua presença. No entanto, a questão ética contida nos Yamas e Niyamas é uma consequência da prática, assim como é uma consequência os benefícios físicos proporcionados pela prática regular de ásanas. Acho importante isso principalmente nos dias de hoje aonde a ética, até como produto, sofre de escassez.

Interpretações à parte, somente a prática pode demonstrar de forma clara a observância dos pontos abordados em Yama e Niyama e para facilitar o acesso à sua compreensão, busco desenvolver esta dissertação com os pontos que acho mais relevantes.

*-a maior parte da literatura relacionada ao Yoga adota a tradução de Yamas como restrição, refreamentos, enfim, toda ela concorda que yama se trata de um conceito moderador proibitivo, para quem pretende seguir os passos do Yoga

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