As tradições filosóficas e religiosas dos vales do Rio Indo e Ganges se anteciparam em trazer para o conhecimento humano noções da natureza imperceptíveis para as ferramentas dos sentidos – tudo isso apenas com a observação introspecta de meditadores, com isso tiveram contato com conhecimentos como a realidade atômica e os conceitos recentes de física quântica, sem a necessidade de tecnologias materiais da forma que hoje acontece com a ciência.

Os milhares de anos de acumulo de conhecimento e a transformação deste em ensinamentos que eram transmitidos em ashrams por mestres a seus discípulos serviu de base para a elaboração dos Yoga Sutras e diversos outros manuais e escrituras sagradas.

Meu trabalho aqui pretende analisar a natureza funcional dos dois angas iniciais deste texto, Yamas e Niyamas, de acordo com minhas próprias observações e formuladas com a inspiração que obtive a partir de toda a literatura que trata de Yoga e temas relacionados com a evolução da consciência humana com a qual tive contato. Por haver formulações de minha concepção, é normal que o leitor encontre pontos que divergem da literatura já publicada, criei estes pontos no intuito de gerar uma discussão em torno deles a fim de ver surgir outros pontos de vista.

Estes dois angas, na maioria dos textos modernos que os abordam, são tratados num sentido ético, em alguns textos Yama foi traduzido com os termos “refreamento”, “proibições” e outros termos que carregam alguma conotação restritiva* , a meu ver estes termos distanciam estes angas da própria natureza do Yoga. Porém os angas carregam em si os princípios de desidentificação com a mente, passo necessário para uma prática com todo o potencial de que o Yoga dispõe.

Evidentemente, o apelo ético contido nestes angas fica claro principalmente na cultura ocidental aonde a ética chega a ser produto e tê-la significa pontos de status dependendo do meio em que se verifica sua presença. No entanto, a questão ética contida nos Yamas e Niyamas é uma consequência da prática, assim como é uma consequência os benefícios físicos proporcionados pela prática regular de ásanas. Acho importante isso principalmente nos dias de hoje aonde a ética, até como produto, sofre de escassez.

Interpretações à parte, somente a prática pode demonstrar de forma clara a observância dos pontos abordados em Yama e Niyama e para facilitar o acesso à sua compreensão, busco desenvolver esta dissertação com os pontos que acho mais relevantes.

*-a maior parte da literatura relacionada ao Yoga adota a tradução de Yamas como restrição, refreamentos, enfim, toda ela concorda que yama se trata de um conceito moderador proibitivo, para quem pretende seguir os passos do Yoga

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Sobre Léo Nascimento

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